A Espanha pretende aproveitar seu período na presidência rotativa da União Europeia (UE), durante o primeiro semestre de 2010, para retomar as negociações com o Mercosul sobre um acordo de livre comércio. A disposição foi anunciada pelo chanceler Miguel Ángel Moratinos durante sua rápida visita a Brasília, em companhia de cerca de 20 empresários, dois deles representando empresas do setor ferroviário que não escondem o interesse em entrar com força na disputa pelo contrato para implantação do trem de alta velocidade entre Rio de Janeiro e São Paulo.
"Sabemos que a concorrência vai ser difícil, mas temos a vontade política e financeira", afirmou o visitante. "Um dos objetivos da minha visita é relançar as negociações (com o Mercosul), por isso vim acompanhado pelo responsável por assuntos europeus", afirmou Moratinos. O ministro espanhol deixou clara sua discordância com a opção que sul-americanos e europeus atribuem cada um à outra parte de condicionar o acordo entre os dois blocos à conclusão da Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC). "Tentamos resolver as questões comerciais em Doha e perdemos a oportunidade de avançar as conversações entre Europa e América do Sul, não apenas nas relações comerciais mas também no desenvolvimento de outros aspectos da parceria estratégica (entre a UE e o Mercosul)", lamentou o chanceler.
Moratinos fez questão de realçar a posição da Espanha como segundo país com maior estoque de investimentos no Brasil, com cerca de 30 bilhões de euros, atrás apenas dos Estados Unidos. O governo socialista de Madri, que coleciona afinidades com o governo brasileiro, aposta no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) como antídoto para os duros efeitos da crise mundial na economia espanhola. Não é por outra razão que na semana que vem o País receberá outra visita de alto nível, da vice-presidenta do governo, María Teresa Fernández de la Vega. Ela será recebida pelo presidente Lula e pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.
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