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Barreiras obstruem desenvolvimento
 

Hidrovia, ferrovia e rodovia. Se essas matrizes de transporte fossem prioritárias no Brasil, em termos de logística, Santarém estaria para Mato Grosso como a unha está para a carne. No entanto, interesses inconfessáveis de organizações internacionais insistem em criar obstáculos na consolidação de um corredor entre aquela cidade do oeste paraense e a economia mato-grossense.

A hidrovia Teles Pires-Tapajós avança lentamente graças a construção de hidrelétricas, que elevarão o nível das águas facilitando a navegação em trechos de estrangulamentos (leia nesta página - Hidrovia: rota natural ao Pará). A concessão para a América Latina Logística (ALL) estender os trilhos de Cuiabá a Santarém ainda é utópica, porque não se sabe sequer quando o trem apitará na capital mato-grossense. A pavimentação da Cuiabá-Santarém (BR-163) é feita a conta-gotas. A rodovia tem 1.770 km e o asfalto ainda é esperado num trecho fragmentado de 870 km acima de Guarantã do Norte.

Os gargalos dificultam, reduzem, mas não impedem o escoamento de soja mato-grossense pelo porto da Cargill, em Santarém. Em 2008, a exportação de soja de Mato Grosso alcançou US$ 3,75 bilhões (FOB), e US$ 345,7 milhões (FOB) desse montante ganhou o mundo por Santarém.

A movimentação no porto da Cargill é feita por grãos do Chapadão do Parecis, após viagem de carreta até Porto Velho, e dali, em balsas pelos rios Madeira e Amazonas chegam aos terminais naquela cidade.

Menor distância para as commodities do Nortão mato-grossense chegarem aos principais centros importadores mundiais. Essa é a grande arma de Santarém em relação aos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR), por onde Mato Grosso exporta a maior parte de sua produção agrícola.

De Paranaguá a Roterdã, na Holanda, a distância é de 11.600 km. De Santos àquela cidade, 11.128 km. Santarém está a 7.401 km daquele porto holandês. Tóquio, no Japão, fica a 24.600 km de Santos, a 24.087 km de Paranaguá e a 20.800 km de Santarém.

A implantação de um corredor norte-sul formado por hidrovia, ferrovia e rodovia para Santarém daria mais competitividade ao agronegócio do médio-norte e nortão. e forçaria o deslocamento de parte do RO-RO Caboclo para Mato Grosso.

Quase toda a produção industrializada na Zona Franca de Manaus é transportada para Belém pelo RO-RO Caboclo, que também responde pela fatia principal do abastecimento da capital amazonense. Todas as alternativas de transporte entre Santarém e Mato Grosso interessam aos operadores do RO-RO Caboclo.

Para Manaus o embarque nas balsas do RO-RO Caboclo é feito em Belém, depois de uma viagem rodoviária de 2.950 km de São Paulo até lá. Esse modal se completa com uma viagem de 1.700 km pelo rio Amazonas. Com a consolidação da hidrovia Teles Pires-Tapajós Mato Grosso se transformará no grande corredor para essa interligação, por um multimodal que reduzirá a distância rodoviária e o preço do frete.

RO-RO é abreviação em inglês de roll on-roll off, que significa o modo como as cargas são embarcadas e desembarcadas, rolando para dentro e fora das embarcações. Na Amazônia, RO-RO Caboclo é o nome que se dá ao transporte de carretas carregadas por balsas de fundo chato, proa lançada e baixo calado.

MERCADO - Produtos alimentícios de Mato Grosso respondem pela maior fatia dos espaços nas gôndolas dos supermercados e dos barcos varejistas no oeste paraense. O abastecimento desse importante mercado com 628 mil habitantes é feito diretamente por empresas mato-grossenses e distribuidoras instaladas em Manaus.

A lista de produtos de Mato Grosso em Santarém inclui óleo de soja, frangos congelados, pedaços de frangos, embutidos, charque, cerveja, refrigerantes, lácteos, leite longa vida, biscoitos, sucos de frutas, farinha de milho, ovos, pizza pré-cozida, palmito, café em pó, arroz empacotado, feijão, doces e conservas, além de outras linhas a exemplo de colchões, serralheria, embalagens, implementos agrícolas, carrocerias, carroças, adubos, sal mineral, ração animal e outros.

TRIP - Eduardo Gomes viajou ao Pará pela TRIP Linhas Aéreas, que opera a rota Cuiabá-Santarém com frequências diárias em aeronaves de última geração. Informações: www.voetrip.com.br e 65.3682-2555.


FONTE:
Diário de Cuiabá
 
 

 

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