Álcool pode voltar a liderar postos
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| Com produção anual de cerca de 25 bilhões de litros de álcool no país, distribuidores e produtores concordam que não será necessário reduzir a mistura do anidro na gasolina (de 20% para 25%), segundo intenção do governo para favorecer o preço nas bombas. Para especialistas, a diferença seria inócua em relação à demanda do mercado.
Além disso, há projeção de aumento do valor da gasolina em 2010, com a elevação do petróleo no mercado internacional, o que tornaria o álcool competitivo novamente nos postos.
- Não há necessidade de alterar o teor de anidro na gasolina. Temos bom estoque de etanol (derivado do álcool), que suporta a demanda - afirma Alízio Vaz, vice-presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), acrescentando que já houve esse entendimento no mercado em reunião com a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP).
O diretor da ANP, Haroldo Lima, havia defendido a ideia devido ao último levantamento de preços (feito entre 15 e 21 de novembro) que apontava ainda ser vantajoso abastecer o veículo com álcool apenas em cinco estados: Goiás, Mato Grosso, Paraná, São Paulo e Tocantins. Já a gasolina tornou-se mais competitiva em 20 estados.
Para o consultor Arnaldo Corrêa, da Archer Consulting, o preço do álcool continuará nos mesmos níveis pelo menos até o primeiro trimestre de 2010, com oscilações de acordo com a demanda. Para ele, o valor do combustível também vai depender da oferta de cana-de-açúcar no mercado internacional, matériaprima do álcool.
- Temos que esperar uma procura menor pelo açúcar, principalmente da Índia, cuja safra começou em outubro. Mas, de todo jeito, essa redução da mistura não teria grande repercussão, pois seriam apenas 450 milhões de litros a menos. Não acredito em queda de preço do etanol.
A União da Indústria de Canade-Açúcar (Unica) emitiu nota contra a redução da mistura de álcool na gasolina para evitar novas altas do etanol no mercado. Reforça, ainda, que a produção do biocombustível continua "em patamares suficientes" para garantir o peso atual de 25%.
Por sua vez, o presidente da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis), Paulo Miranda Soares, mostrou preocupação quanto ao abastecimento do mercado nacional, "apesar dos usineiros terem garantido a produção." - A demanda está muito aquecida e há uma oferta maior de álcool hidratado, até porque a safra não foi boa, choveu muito e atrapalhou a colheita da cana. Mas entendemos que a ANP está no papel dela, de regular o mercado. .
Quanto às perspectivas para 2010, após o anúncio da prorrogação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os veículos flex fluel 1.0, o consultor Arnaldo Corrêa não acredita em um aumento imediato da procura por álcool.
- Creio que o quadro de oferta e demanda será apertado, mas não a ponto de causar desabastecimento.
Para Alísio Vaz, do Sindicom, o preço do hidratado vai ser regulado pelo consumidor. Ele destaca que apesar das recentes altas do etanol, as últimas semanas já mostram tendência de redução: "É importante que o consumidor faça a opção pelo etanol". |
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FONTE:
Jornal do Brasil |
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