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Rodovia do litoral supera BR-116 e vira campeã em acidentes

Curvas sinuosas em pistas simples, sinalização precária, fluxo crescente de veículos, imprudência dos motoristas.

Fatores que podem misturar displicência de quem cuida da rodovia e de quem circula por ela contribuíram neste ano para fazer da principal rota do litoral brasileiro uma campeã em acidentes.

Pela primeira vez ao menos nos últimos três anos, a BR-101 lidera o ranking na malha federal, com 76 acidentes por dia, conforme levantamento até a semana passada.

Ela superou a até então líder BR-116, que está com 74 por dia e cujo trajeto longitudinal passa mais próximo do interior, com tráfego intenso de cargas, incluindo ainda rodovias como a Régis Bittencourt e a Dutra.

O balanço da Polícia Rodoviária Federal contempla dados desde 2007. Historicamente, a BR-116 sempre foi chamada de "estrada da morte".

A Folha percorreu nas últimas semanas a BR-101 de ponta a ponta e flagrou algumas explicações para essa incidência de acidentes na rota do litoral.

Entre os motoristas, três infrações são generalizadas: ultrapassagens em lugar proibido, motociclistas sem capacete e passageiros na carroceria de caminhões e de picapes. Entre os pedestres, travessias perigosas em regiões urbanizadas.

A geometria é agravante, com curvas perigosas e pista simples em mais de 80% dela.
Tudo isso é potencializado pela falta de placas e de pintura do asfalto. Com a sinalização precária, os motoristas ficam sem saber a condição para as ultrapassagens. E a ausência de fiscalização adequada (radares desligados desde 2007) é um estímulo para as infrações.

"O que ela rouba de vidas é um negócio de outro mundo", diz Amaro Ribeiro Gomes, da associação comercial de Campos (RJ), em referência a um trecho da BR-101 que está entre os líderes de acidentes.

O fato de ser a segunda maior rota rodoviária do país contribui para a presença da BR-101 no topo do ranking de acidentes, já que a estatística envolve números brutos e não há controle preciso de quantos veículos rodam em cada estrada.

Mas isso não justifica estar à frente da BR-116 (4.250 km monitorados pela PRF), mais do que os 3.745 km da BR-101.

Proporcionalmente à extensão, a BR-381 (Fernão Dias) e a BR-40 (Rio-Brasília) têm mais acidentes que as outras duas, por serem menores e terem um movimento mais concentrado.

Uma das explicações para a elevação de acidentes na rota do litoral brasileiro (de 62 por dia, em 2007, para 76 por dia, em 2009) é a alta do tráfego -até pela melhoria do asfalto em parte da estrada, estimulando velocidades mais altas.

Outra hipótese é a circulação confusa nos trechos que estão sendo duplicados no Sul e no Nordeste. "É claro que, com as obras de duplicação, os riscos aumentam", diz Hideraldo Luiz Caron, diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes.

Segundo a Polícia Rodoviária, as falhas humanas predominam. "O pior tipo é a colisão frontal. A mistura de pista simples e motorista mal educado é um encontro fatal", diz Alvarez Simões, inspetor da PRF.


FONTE:
Folha de S.Paulo
 
 

 

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